| Marketing Direto não é para Turista |
Resenha
da palestra de Herschell Gordon Lewis, por Francisco Legname,
Diretor de Criação da Datamidia,FCBi
Senhores redatores com destino ao século XXI, queiram por gentileza afiar seus
teclados e embarcar na 1ª classe do marketing direto. Mas conseguir uma passagem
não vai ser assim tão simples. Pelo menos essa é a opinião de um dos maiores
redatores que essa atividade já teve: Hershell Gordon Lewis.
Portanto, se você é do tipo do redator que trabalha em marketing direto, mas
tem a impressão de estar na Sibéria da propaganda "forget about",
este vôo não é para você.
Se você é do tipo que faz uma carta como se tivesse sido rebaixado à condição
de estagiário, pare por aqui.
Se para você o marketing direto é só uma forma indireta de aterrissar numa grande
agência de propaganda, tire o cavalinho da chuva: você não vai decolar nunca.
Mas caso você tenha chegado até aqui, provavelmente ainda tem salvação.
Segundo Hershell Gordon Lewis, o redator de marketing direto, como a própria
atividade sugere, tem de ser direto e dominar o assunto. Isso significa que
você tem que ter um jeito forte de começar o texto, de preferência com um título
ou Johnson Box arrebatador e brilhante. Mas vá com calma por que se logo no
primeiro parágrafo a mensagem soar neutra, você Já dançou.
A idéia é deixar bem claro que em marketing direto as palavras não são apenas
palavras e nada mais do que palavras. As palavras são tudo, a ciência da comunicação
do marketing direto, e cada uma delas tem de ser pensada para, no conjunto formar
uma mensagem forte, harmoniosa, envolvente, simpática, pertinente e vendedora.
Mas, faça o favor de evitar os chavões fáceis, as frases de efeito que de tão
usadas provocam um efeito contrário e informações mentirosas.
Se você ainda não se deu conta o século XXI já chegou e o consumidor está muito
mais esperto, muito mais esclarecido e exigente e pode se sentir ofendido com
suas palavras: para o cliente e para o negócio isso é péssimo.
Um texto de marketing direto exige um processo de sedução honesto onde cada
parágrafo significa uma excitante preliminar, o que equivale a tratar as palavras
com carinho.
Coloque-se no lugar do consumidor e imagine todas as reações que ele vai ter
ao ler o texto: a melhor forma de saber é tentar convencer você mesmo.
Outra coisa importante: quando a sua parte intelectual entrar em conflito com
a sua porção emocional, deixe esta última ganhar, porque um argumento de vendas
baseado na emoção, carrega mais fortemente uma argumentação inteligente de vendas.
Quando você terminar o texto dê uma geral e veja se os parágrafos prendem a
atenção do consumidor durante a leitura em informações verdadeiras e relevantes
e diminua-os se estiverem muito longos, para não dispersar o pensamento.
Seja elegante, sem ser prolixo, mas vá direto ao ponto. E por falar em ir direto
ao ponto, vamos ao pontocom.
Tudo o que você acabou de ler também vale para a Internet, mas use o poder da
síntese porque na web as pessoas normalmente compram por impulso e você não
pode em hipótese nenhuma, dar tempo para elas pensarem. Quanto maior for o poder
aquisitivo e o grau de cultura do target, mais forte e rápida tem de ser a mensagem.
Portanto, considerar a Internet como mídia de massa é um erro gravíssimo.
Na Internet, as palavras que tornam o texto da sua mala direta fortes tem que
ser potencializadas. Um e-mail bem escrito proporciona uma resposta rápida,
funciona como um mecanismo de fixação instantânea e pode ser definido como marketing
direto em tempo real, com direito a feedback.
Se você teve paciência de chegar até aqui, obrigado. Isso significa que também
aprendi com Herschell G. Lewis. E parabéns, você com certeza é um redator que
sabe que ele não disse nada de novo mas a filosofia chinesa manda a gente aprender
e ser humilde com os mais velhos.
Para ter sua matéria publicada aqui, envie-nos
um e-mail