| Afinal, existe fidelidade virtual? |
Por: Aurélio
Lopes
Bilhões de sites, hot sites, mini-sites, páginas, banners, buttons,
etc., etc. Agora, multiplique isso pela curiosidade humana e natural que se
tem ao lidar com um brinquedo novo e cheio de possibilidades. E responda em
poucas linhas como é possível pensar em fidelidade quando estamos
em um ambiente tão diverso, tão rico, tão fascinante como
é a Internet?
Esse é o desafio que me proponho a superar aqui. E com o qual tenho sido
constantemente confrontado nas palestras que realizo, nas aulas que ministro
e no dia-a-dia como executivo da Datamidia,FCBi. Expresso dessa forma direta
ou não, o que é pior ainda. Infelizmente, não é
incomum aparecer empresas que quer a nossa ajuda simplesmente para implementar
uma solução mágica e aparentemente óbvia: distribuir
pontos e prêmios para quem visitar o site, clicar em banners ou comprar
os produtos expostos nas suas páginas web.
Em qualquer dos casos, a minha resposta é padrão: não vamos
colocar os mouses adiante dos browsers. Em primeiro lugar, precisamos definir
exatamente quem queremos fidelizar. Todo mundo que visita seu site? Esse raciocínio
levou à criação e à proliferação dos
programas "pay-to-surf". E, na mesma velocidade, à falência
de todos eles. No mundo virtual, assim como no mundo real, a principal lei dos
negócios é a Lei de Pareto: 80 por cento da sua receita vêm
de 20% dos seus clientes. E eu sempre acrescento o Corolário Aurélio
Lopes: esses melhores clientes são responsáveis por 150% do seu
lucro.
Se você quer clientes fiéis ao seu site, portanto, a primeira coisa
a fazer é conhecer quem são os seus clientes. E começar
a testar formas de recompensar a preferência dos melhores entre eles.
No sentido mais amplo do termo recompensar. Ou seja, oferecer um conjunto de
benefícios que acrescente um alto valor percebido ao produto ou serviço
do site e não simplesmente dar pontos ou prêmios.
Esse conjunto de benefícios pode ser embalado em um programa de fidelidade
do tipo oficial, com nome, marca, regulamento publicado etc., ou em um do tipo
clandestino, no qual você acompanha o histórico de transações
e surpreende os seus clientes com benefícios e premiações.
Em qualquer um dos casos, o programa deve estar apoiado em três pilares:
o Relacionamento-a comunicação regular com o participante, o diálogo
permanente com ele; o Reconhecimento - os privilégios exclusivos, aqueles
benefícios que fazem o cliente sentir-se realmente diferenciado; e a
Recompensa - os prêmios.
Esses três Rs valem tanto para o mundo online como para o offline. Na
Internet, porém, o R de Reconhecimento é talvez ainda mais importante.
Porque é o que vai dar a contrapartida de high touch -algo da própria
natureza da fidelidade - ao high tech que impregna todos os espaços da
rede mundial de computadores. Ser reconhecido acredito, pode se tornar, em última
instância, a motivação básica pela qual alguém
vai clicar o mouse sobre um link ou digitar diretamente o seu endereço
web. É importante também pensar em agregar ao site benefícios
que se estendam ao mundo físico. O nome do jogo na Internet é
conveniência, mas as empresas mais bem sucedidas têm sido aquelas
que conseguiram integrar adequadamente esse canal com o mundo físico,
tornando palpável a conveniência oferecida.
Em resumo, é possível sim pensar em fidelidade virtual. Mais do
que isso é cada vez mais fundamental para a sobrevivência e o crescimento
do seu negócio na Internet. Para dizer o mesmo em outra configuração,
selecione a frase seguinte e clique em salvar: "Um programa de fidelidade
no mundo virtual é importante porque o sucesso na web está menos
em atrair consumidores para o seu site e mais em mantê-los voltando para
lá".
Para ter sua matéria publicada aqui, envie-nos
um e-mail