Pesquisa lança dúvidas sobre as enquetes da internet

Fonte: Media Guardian

UK - As enquetes de opinião na internet, agora largamente utilizadas pela midia, correm o risco de produzir resultados distorcidos, independentemente dos esforços para ponderar os dados e torná-los mais representativos, segundo as técnicas comparativas utilizadas hoje em dia.

As dúvidas existem até mesmo nos casos em que se tem o cuidado de assegurar que os respondentes sejam demográfica e politicamente representativos de toda a população.

A pesquisa, comparando as enquetes da internet com as suas congêneres por telefone, foi realizada pela empresa de pesquisa ICM, pelo estatístico Ken Baker e por John Curtice, do Centre for Research on Electronics and Social Trends, a pedido do Guardian. Ela ocorreu em decorrência de uma crescente polêmica no universo da política a respeito da precisão das enquetes da internet, que dependem da contratação de uma medida dada por um "painel de pesquisados" para compará-la comcom as técnicas mais convencionais.

Os críticos das pesquisas online argumentam que uma vez que apenas metade da população tem acesso à internet, as amostras e, em decorrência, os resultados, não podem ser representativos da população como um todo. A pesquisa em questão desmente esse problema, na medida em que os resultados usuais das enquetes de intenção de voto realizadas online pela empresa YouGov tendem a apontar resultados ligeiramente menos favoráveis aos Trabalhistas do que aqueles obtidos pela empresa ICM, via telefone.

As pesquisas via internet também tendem a pintar um retrato mais favorável para os Democratas Liberais.

A despeito disso, o estudo também aponta que a ponderação utilizada pela empresa de internet pode corrigir essa pequena distorção.

Entretanto, quando o assunto se refere a questões sociais, tais como a pena de morte e o euro, diferenças marcantes foram observadas.

"Utilizar a internet reflete uma atitude diferente em relação à vida, que é independente da classe sócio-econômica", conclui o relatório. "Parece muito provável que o 'painel de pesquisados' da internet seja mais politicamente interessado e informado, e pode parecer mais inclinado a ter uma tendência mais à esquerda em determinados assuntos".

A discussão em torno dos métodos de pesquisa tem-se intensificado seguindo o crescimento da popularidade das rápidas e baratas pesquisas do YouGov entre alguns executivos de jornais. A controvérsia esquentou com a briga pela liderança do partido Conservador, com políticos acusando as diversas empresas e seus executivos de serem tendenciosos em relação à disputa, com interesses particulares entre partidos e empresas.