Quando
atender bem não passa de intenção
Fonte: O Globo Online / Clipping ABT
Conseguir solucionar um problema qualquer no primeiro telefonema para um
dos milhares de serviços de atendimento ao consumidor (SACs) é
algo quase impossível. Os principais obstáculos são
o call center engessado por um script que se restringe a encaminhar a queixa,
sem apresentar uma solução concreta, e o jogo de empurra-empurra
entre a empresa e os seus prepostos, como a assistência técnica
e a rede autorizada.
O Código de Defesa do Consumidor diz que os problemas devem ser solucionados
em 30 dias e que todos os envolvidos (empresas e prepostos) são solidariamente
responsáveis pela solução. Mas, na prática,
o que se vê é que as empresas levam mais de um mês e,
às vezes, não conseguem resolver o problema. Os órgãos
de defesa do consumidor defendem uma reformulação nos SACs,
para que estes consigam atender aos casos excepcionais de forma personalizada,
reunindo tecnologia e treinamento adequados.
Procon
diz que cliente não é obrigada a esperar por solução
Nilton Alves
Gouvêa reclama que, com pouco mais de seis meses de uso, seu celular
da Ericsson apresentou problemas. Por isso, recorreu ao serviço
autorizado da empresa, a Avel:
Deixei o aparelho para conserto. Fui várias à Avel porque
o aparelho voltava a dar defeito. Hoje, um ano depois, ainda não
consegui solucionar o caso. A Avel diz que a culpa é do fabricante
e a Ericsson repassa o problema, prometendo que a autorizada dará
uma solução.
A Avel informou que o fabricante enviaria um novo aparelho para o leitor,
que poderia ser retirado ontem. No entanto, o consumidor disse que esteve
na Avel e foi informado de que a assistência técnica está
aguardando uma peça ser enviada pela empresa para concluir o conserto.
Carlos Filipe Banhos passou uma noite fora de casa e quando retornou,
encontrou seu apartamento alagado. Segundo ele, a catástrofe foi
ocasionada por um erro da CEG, que não conectara direito o aquecedor
ao encanamento: Mas o pior foi a falta de retorno da empresa para solucionar
o problema. Fui orientado pela CEG a enviar um relatório de danos
e aguardar. Fiz isso e há dois meses e ainda espero uma reposta.
A CEG diz que o incidente com o leitor ocorreu cerca de 50 dias depois
da conversão e que o problema não é de sua responsabilidade
porque não tem relação com o trabalho de conversão
do aquecedor. Mesmo assim, a empresa diz que, informada do incidente,
enviou no mesmo dia um técnico à casa do leitor.
A diretora de atendimento do Procon de São Paulo, Maria Lumena,
diz que o SAC eficiente é aquele que estabelece uma política
de relacionamento com o cliente:
Existem dois tipos de SACs: os de atendimento circunstanciais, que só
existem para apagar incêndios, e os de atendimento sistemático,
que vêem o cliente como um colaborador para a melhoria na prestação
do serviço. A empresa tem que estar preparada para o cliente que
necessita de atendimento personalizado. E tem que perceber que mapear
as necessidades do seu cliente pode ajudá-la a crescer no mercado.
Maria Lumena afirma que o consumidor não é obrigado a ficar
preso ao atendimento deficiente de um call center engessado por um script
. O consumidor precisa saber que ele tem direitos que devem ser respeitados.
Se a empresa não consegue atendê-lo pelos canais que oferece,
o cliente tem opções como recorrer ao Procon, às
ONGs de defesa do consumidor e também à Justiça.
Segundo ela, o prazo de tolerância para uma solução
amigável também fica a critério de cada consumidor:
- Ninguém é obrigado a esperar. Se o cliente considera seu
caso urgente e a empresa, não, ele não tem que conceder
prazo: pode ir direto aos órgãos de defesa do consumidor.
Cristiano Lagôas, diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Relações
com o Cliente (IBRC), que oferece consultoria sobre melhoria de relacionamento
com o consumidor, diz que qualquer empresa, de pequeno, médio ou
grande porte, pode construir um SAC eficiente, mesmo que terceirizado:
- As peças-chaves são treinamento de pessoal, tecnologia
e segmentação de atendimento. Terceirizar o call center
é um risco para quem faz isso só para se livrar do problema.
Se a empresa não ficar restrita aos relatórios enviados
e monitorar o serviço, ela pode manter a qualidade.
O ombudsman Marcos Dessaune é um consumidor combativo, daqueles
que não desistem na primeira meia hora de espera com a musiquinha
irritante nos ouvidos. Adepto da negociação entre a empresa
e o cliente, ele muitas vezes ultrapassou a barreira do SAC e conseguiu
resolver seu problema: - Eu sigo os passos que a empresa oferece. Primeiro
ligo para o SAC. Mas, se não consigo nada, escrevo para a diretoria,
para o PABX da empresa e peço para falar com a secretária
do presidente. Quase sempre, ela, que conhece todo mundo dentro da empresa,
me encaminha para alguém que realmente tem poder para solucionar
o problema que eu apresentei.
No seu site www.superconsumidor.com,
o ombudsman ensina aos consumidores a negociarem com as empresas.
Rosário Bouzas Correa reclama que recorreu a todos os canais disponíveis
pela Directv para resolver um problema com o seu sinal, mas não
obteve sucesso: - Liguei para o SAC, que é 0300, e após
esperar alguns minutos, uma gravação sugeriu que eu retornasse
mais tarde. Tentei reclamar pela internet, mas a resposta da empresa só
chega em 48 horas. Não queria pagar e ter que esperar tanto tempo.
Então, recorri novamente ao 0300. Paguei R$ 82 em contas, valor
superior à minha mensalidade da Directv, e não resolvi o
problema. Mas quando atrasei a mensalidade dois dias, a empresa ofereceu
um 0800 para eu entrar em contato.
Em relação ao caso, a Directv informa que todos os problemas
foram resolvidos. O gerente de atendimento da empresa, Roger Haick de
Andrade, garante que a empresa tem tentado oferecer ao cliente uma reposta
ainda no primeiro atendimento: - Ganhamos recentemente um prêmio
de qualidade no atendimento que comparou os SACs do mercado de TV por
assinatura. Além disso, adotamos há cerca de um ano uma
espécie de ombudsman virtual que monitora o tempo de resolução
dos problemas. Quando o tempo estoura, uma mensagem avisa o supervisor,
depois o gerente da área e o diretor, podendo chegar até
o presidente.
DEFESA DO CONSUMIDOR
ONDE RECLAMAR?
A Delegacia do Consumidor (Decon), na Rua Silvino Montenegro 1, 2°
andar (em frente ao armazém 6 da Avenida Rodrigues Alves), telefone
2253-3447, atende a queixas contra propaganda enganosa e compra e venda
de produtos
http://oglobo.globo.com/oglobo/Economia/108534163.htm
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