iPhone: uma revolução no mobile marketing   
Fonte: JumpExec

A Apple pode estar no centro de uma nova revolução comportamental, com reflexos claros no mercado de novas mídias. O lançamento do iPhone significa, para alguns analistas, um novo patamar para o desenvolvimento de negócios digitais envolvendo entretenimento, informação e e-commerce.

A empresa de Steve Jobs está acostumada a quebrar paradigmas. Revolucionou o conceito de computação pessoal com o lançamento do Macintosh. Depois de décadas se celebrizando como uma autêntica grife de modelos de alta tecnologia e desempenho, feitos para um público fiel e exigente, a Apple revolucionou o conceito de venda de música com o lançamento do iPod, e, ao que tudo indica, o iPhone será o instrumento de outra grande quebra de padrões patrocinada pela empresa.

O iPhone, com um design totalmente diferenciado, equipado com poderosas aplicações de busca (cortesia de Google e Yahoo) e com uma plataforma de alto desempenho para navegação, já chama a atenção de analistas e planejadores de mídia. Seu provável sucesso junto aos early adopters, juntamente com a força da marca, poderá atrair maiores investimentos para campanhas de marketing em ambientes de convergência de mídias, e consolidar de vez o mobile marketing como um veículo poderoso de publicidade.

O lançamento do iPhone vem na esteira de grandes expectativas com relação ao crescimento do mercado publicitário em dispositivos móveis. Análises do eMarketer prevêem que as grandes marcas gastarão cerca de 5 bilhões de dólares em publicidade "sem fio" neste ano, contra os 421 milhões gastos em 2006.

Não se sabe ainda o quanto o lançamento do iPhone poderá influenciar o crescimento deste mercado, mas o prestígio da Apple é algo que não pode ser subestimado. O iPod, que se tornou praticamente sinônimo de tocador de MP3, detém 70% do mercado norte-americano - apesar de sofrer a concorrência de gigantes como a Microsoft. A mesma característica se aplica à loja virtual de conteúdo iTunes. A loja da Apple continua dominando amplamente o mercado, apesar dos esforços da Microsoft com seu Zune. Mesmo a Nokia, que agora vai sofrer a concorrência direta da empresa de Steve Jobs, já se movimentou e comprou no ano passado a Loudeye, uma plataforma de distribuição digital de música, mas ainda está longe de significar uma verdadeira ameaça ao iTunes.

O iTunes, que começou como uma plataforma de venda de música, agora também oferece downloads legais de episódios de seriados de TV, entre outros conteúdos, conquistando a total confiança de milhões de usuários, e, claro, batendo recordes de faturamento. Seu sucesso mostra que, dependendo do modelo de negócio implantado, muitos estão dispostos a deixar a pirataria de lado e comprar conteúdos de música e vídeo, para alívio de gravadoras e estúdios.

Com a entrada do iPhone, esse modelo de negócios certamente irá envolver o mobile commerce, o que abre espaço para ações promocionais fortemente calcadas em marcas fortes, e, melhor ainda, utilizando o que uma plataforma Apple tem de mais forte: apelo promocional, apelo de vendas e fidelidade do consumidor - e tudo a preços razoáveis. Desta forma, segundo analistas da empresa de métrics M-Metrics, o lançamento do iPhone pode significar uma explosão do negócio de downloads de música em telefones celulares , e prevê que em 2010 o faturamento alcance US$ 15 bilhões - sem falar no impacto em outros tipos de distribuição de conteúdo.

Finalmente, o fato da Apple ter se unido a Google e Yahoo para comercializar banners e buscas patrocinadas significa um novo negócio para as operadoras, pelo menos com relação ao desenvolvimento de fontes de receita utilizando novos espaços publicitários. Em artigo recente no Wall Street Journal, a AT&T revela que quer faturar alguns bilhões de dólares nos próximos cinco anos utilizando as novas plataformas de convergência de mídias. A operadora norte-americana acredita que possa vender espaços publicitários nas três mídias na qual opera - internet, televisão e telefones celulares, o que alcançaria vários tipos de consumidores. Grandes anunciantes, como a divisão de cartões de crédito do JP Morgan Chase, já estariam interessados em testar este novo tipo de publicidade.

Não resta dúvida que a Apple está no centro das atenções do mercado no momento. Resta saber se Steve Jobs trocaria a maçã do logotipo por uma bússola - já que sua empresa parece sempre apontar para onde o futuro está.