America Movil e AT&T oferecem 2,6 bilhões pela Telecom Italia
Fonte: The Wall Street Journal   

Uma oferta de 2,6 bilhões (US$ 3,47 bilhões) da americana AT&T Co. e da mexicana América Móvil para uma fatia conjunta de 66,6% da holding que controla a Telecom Italia SpA deve acelerar a consolidação das maiores telefônicas do mundo, embora possa enfrentar resistência nacionalista por parte do governo italiano. A divisão de telefonia celular da italiana é dona da TIM, que segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações é a segunda maior operadora de celular do Brasil, com 25,6% do mercado em fevereiro. A Claro, da América Móvil, vem logo atrás com 24,1% do mercado segundo a Anatel. A líder Vivo, da Portugal Telecom SGPS SA e da Telefónica SA, tem 28,6%. Ainda não está claro se a oferta da AT&T e da America Movil vai enfrentar obstáculos regulamentares no Brasil.

O conselho do grupo italiano Pirelli & C. SpA disse ontem que entrou em negociações exclusivas com a AT&T e a América Móvil para vender até 66,6% de sua participação de 80% na holding Olimpia SpA, que não é negociada em bolsa. A Olimpia tem 18% da Telecom Italia, o maior grupo de telefonia da Itália, e essa fatia tem permitido à holding controlar o conselho da telefônica. A família italiana Benetton tem os demais 20% da Olimpia. Se o negócio der certo, empresas estrangeiras seriam os maiores acionistas de uma companhia que o governo italiano há muito deseja que fique em mãos italianas. O presidente do conselho da Pirelli, Marco Tronchetti Provera, tinha anunciado no mês passado que estava querendo vender seu investimento na Telecom Italia, que tem dado prejuízo. Contudo, o controle da Telecom Italia se tornou uma questão politicamente carregada, e Tronchetti Provera tem se digladiado com o primeiro-ministro Romano Prodi sobre até que ponto empresas estrangeiras podem influir na companhia.

A AT&T e a América Móvil avaliaram a Telecom Italia a ? 2,82 por ação menos a dívida líquida de ? 2,8 bilhões da Olimpia, observando que o preço está sujeito à verificação das contas (due diligence) por parte das duas companhias e a todas as condições do contrato. A venda a esse preço poderia resultar numa perda de ? 3,6 bilhões para a Pirelli. A oferta representa um prêmio substancial sobre a cotação de ? 2,13 para cada ação da Telecom Italia no fechamento de sexta-feira em Milão. Três das quatro maiores empresas de celular da Itália já são controladas por estrangeiros. A TIM é a única ainda sob controle italiano. A perspectiva de a Telecom Italia também acabar em mãos estrangeiras tem alarmado Prodi, e no passado ele já agiu para atrapalhar os negócios de Tronchetti Provera com firmas estrangeiras.

Tronchetti Provera tem buscado uma maneira de salvar seu investimento na telefônica, que ele assumiu em 2001. Recentemente, ele concluiu que fazer uma aliança com uma grande telefônica estrangeira seria a melhor maneira de interromper a queda da Telecom Italia na bolsa. Ainda não está claro como o governo vai reagir a uma possível venda à AT&T e à América Móvil (da qual a AT&T é sócia minoritária). Contudo, o calendário pode ser essencial. Quarta-feira é o prazo para os acionistas apresentarem suas indicações para um novo conselho de administração da Telecom Italia, o que pode ir a votação mais para o fim do mês. Se Tronchetti Provera conseguir fechar o negócio antes disso, a AT&T e a América Móvil se tornariam o maior acionista da companhia, com grande influência sobre a diretoria.