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Por:
Dennis Hanson
Customer Relationship Management é uma das expressões da
moda no marketing recente e, no entanto, é uma das práticas
mais antigas nas transações comerciais desde os primórdios
da civilização.
Como será que os fenícios adivinhavam que os egípcios
apreciavam a cerâmica dos gregos e que estes apreciavam a vidraria
dos egípcios? Tecnologia sofisticada? Certamente não. Apenas
observação acurada e inteligência para filtrar as
informações mais relevantes sobre os gostos e preferências
de cada cliente.
Foi uma forma completamente low-tech de CRM que levou dois pequenos empresários
de uma cidade litorânea do estado do Rio de Janeiro a transformar
uma loja de materiais de construção em um pequeno super-mercado.
Malucos? Indecisos? Não, mais uma vez - observadores e inteligentes.
Cada vez que um cliente entrava para comprar pregos, ele também
perguntava se havia carvão para churrasco ou cloro para a piscina.
Passou-se a vender carvão e cloro, e os mesmos clientes que compravam
esses produtos perguntavam se não haveria cerveja para o churrasco
e bronzeador para usar na piscina. De pergunta em pergunta, definiu-se
o perfil de necessidades do mercado e ficou evidente que um super-mercado
seria muito mais rentável que uma loja de materiais de construção
na região em questão. Esta forma elementar de Database Marketing
é o princípio de um programa mais complexo de CRM.
É esse o sistema que norteia o gigante das livrarias online Amazon.com
em suas relações com a clientela - só que dessa vez
cercado da mais sofisticada tecnologia.
Cada vez que um cliente compra um romance policial ou um livro sobre escaladas
no Himalaia, presume-se que ele aprecie o gênero. O software armazena
essa informação e sempre que houver lançamentos na
área, o cliente é informado por um email. Fantástico,
não? Talvez
Imagine a seguinte situação: você comprou um livro
sobre pontos de crochê para presentear sua sogra e de agora em diante
você será bombardeado com lançamentos sobre crochê,
assunto presumido de sua preferência.
É aí que entra a inteligência. Não a inteligência
artificial, ainda no estágio Microsoft de qualidade, onde um software
executa uma ação que você não precisa, num
momento em que você não o quer, baseado em uma informação
aleatória de um comportamento passado qualquer. A inteligência
precisa ser humana. Pessoas inteligentes fazem a diferença em qualquer
sistema, seja ele de altíssima tecnologia ou não.
Todos os dias lemos que empresas gastaram fortunas em softwares e sistemas
de CRM para pouco depois declarar que nada funcionou. A culpa, é
claro, recai sobre as empresas fabricantes que querem "empurrar"
seus produtos de qualquer maneira. Só que esta visão é
totalmente falsa. Ainda existe entre as pessoas uma certa visão
romântica da tecnologia, provavelmente baseada nos desenhos animados
dos Jetsons, a que todos assistiram na infância, de que apenas ela
basta para resolver todos o problemas e que quanto mais cara e sofisticada
melhor e mais rápidamente ela é capaz de resolver tudo.
Tenho uma máquina fotográfica Nikon, ultra-sofisticada,
com toda a parafernália de direito, e continuo um péssimo
fotógrafo. Culpa da Nikon, ou minha?
CRM então é mais que um processo de coleta de dados com
uma interpretação inteligente que auxilie a empresa a vender
os produtos certos, no momento certo para sua clientela.
Os fenícios faziam isso e o velho armazém de bairro também.
É preciso um esforço deliberado para lembrar que a Dono
Francisca, da casa amarelinha da esquina só gosta de feijão
mulatinho, enquanto que o Seu Joaquim da livraria só fuma fumo
de rolo goiano. O passo seguinte é mandar o garoto avisar à
Dona Francisca que o seu feijão acaba de chegar, fresquinho da
fazenda, e ao Seu Joaquim que o seu fumo também chegou, juntamente
com uma nova marca de papéis para enrolar cigarros.
No caso do Seu Joaquim, o lojista já vislumbrou a possibilidade
de fazer uma venda a mais, baseando-se nos hábitos e preferências
do freguês, deixando-o genuinamente satisfeito com a atenção
dispensada pelo dono do armazém.
O ponto principal do CRM, ignorado por quase todos os seus usuários,
é a possibilidade de gerir todas as informações colhidas
nos diversos pontos de contato com o cliente e tê-las facilmente
acessíveis para usá-las a fim de tornar o relacionamento
com o cliente cada vez mais proveitoso para todas as partes.
No caso do Seu Joaquim, se ele não gostou da marca de papel de
cigarros, é preciso que essa informação seja imediatamente
armazenada e disponibilizada para todos os balconistas do armazém
para que o produto não seja mais oferecido àquele cliente.
Essa é a inteligência por trás do CRM. Um banco de
dados voltado para ações de marketing (DBM) ajuda a armazenar
uma quantidade de dados que o dono do pequeno armazém nem sonharia;
ele também ajuda a montar estatísticas sobre produtos mais
vendidos e até sugerir a possibilidade de outros que possam ser
oferecidos para aumentar a rentabilidade de clientes. O software de CRM
ajuda a mapear todos os contatos já efetuados entre o cliente e
o estabelecimento, tornando esses dados disponíveis a todos na
hierarquia da empresa para que possam saber exatamente com quem e sobre
o quê estão falando.
Numa grande revenda de automóveis só o CRM é capaz
de detectar os já clientes que ligam para marcar uma revisão,
possibilitando um contato mais satisfatório, e assim diferenciá-los
dos clientes prospectivos em busca de informações sobre
preços de carros novos ou usados e ainda das pequenas oficinas
em busca de peças, neste último caso informando até
se se trata de um comprador assíduo, que merece descontos maiores
ou apenas de um comprador ocasional em busca do melhor preço.
Se pensarmos numa rede de concessionárias, o problema fica um pouco
mais complexo e sua gestão precisa ser pensada e executada com
muito cuidado. Além do telefone e do balcão das lojas, temos
hoje diversos pontos de contato com o cliente que não podem ser
esquecidos - sites de internet, email, malas diretas e os serviços
de reclamações e atendimento ao cliente têm que ser
integrados à base de dados de informações sobre o
cliente.
Para evitar frustrações, é preciso ter em mente que
nenhuma solução tecnológica é capaz de resolver
todos os problemas - soluções específicas para cada
tipo de situação, integradas por um gerenciamento realmente
capaz, são mais prováveis de trazer os resultados desejados.
A perfeita integração entre todas as informações
coletadas é a única forma capaz de gerar um contato mais
rico que cria um vínculo profundo com o cliente, fazendo-o retornar
sempre.
Por outro lado, somente essas informações poderão
dizer à empresa quem são seus melhores clientes, aqueles
em quem vale realmente investir, separando-os dos clientes ocasionais
e até daqueles que nada significam em termos de rentabilidade.
Para o cliente é um conforto saber que ao ser atendido em qualquer
das filiais da rede suas preferências serão lembradas e quaisquer
tipos de problemas havidos serão lembrados e evitados.
Com tudo isso e a despeito das soluções tecnológicas
adotadas, as decisões ainda dependem de um processador ainda não
obsoleto, que se utiliza de uma série de filtros aleatórios
chamado cérebro humano - e nada como um cérebro treinado,
no caso o profissional de marketing direto, para resolver a questão
satisfatoriamente.

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