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Competitividade
nos Serviços Postais
Fonte: Gazeta Mercantil
Como se noticia, o deputado
Santos Filho (PFL-PR) vai apresentar substitutivo ao
texto da Lei Postal, ora em exame pela Comissão de
Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, pelo qual
propõe dar à Empresa Correios do Brasil (ECB) sucessora
da Empresa Brasileira de Correios e Telegráfos (ECT), um
feitio monopolístico por meio de uma série de
privilégios que lhe seriam concedidos durante dez anos.
A idéia nos parece inteiramente fora de propósito. Diz
a Carta Magna, no art. 21, inciso X, que cabe a União
manter o serviço postal e o correio aéreo nacional,
atingindo as mas distantes localidades do território
nacional, mas os constituintes nada estabeleceram quanto
à manutenção desses serviços com exclusividade ou
vantagens especiais. Note-se que a ECB tem elevado
significativamente sua eficácia, o que pode ser
atribuído, em grande parte, as condições de
competitividade em que atua, principalmente no que diz
respeito ao transporte de documentos por malotes, entrega
de encomendas, distribuição de publicações, etc.
O projeto não leva em conta profundas mudanças
ocorridas no comércio e nos serviços de modo geral nas
últimas décadas.
O comércio eletrônico vem velozmente se popularizando
no Brasil e calcula-se que o valor das mercadorias
comercializadas por meio da internet atinja, neste ano, 3
bilhões de dólares. Os entraves que o comércio
eletrônico ainda encontra provêm justamente da
logística de transportes, que ainda deixa muito a
desejar. As empresas privadas que têm procurado vencer
esses obstáculos, além de criar milhares de empregos,
estão, de fato, concorrendo para o aperfeiçoamento da
infra-estrutura. O mesmo fazem instituições financeiras
e empresas de diversos setores que se utilizam de
serviços postais próprios ou terceirizados, de modo a
proporcionar um melhor atendimento à sua clientela.
Ao assim agir, as empresas privadas aliviam um enorme
tráfego através dos Correios, o que é uma vantagem,
não só do ponto de vista das empresas e dos cidadãos,
mas da própria ECB.Dar à empresa estatal prerrogativas
especiais que lhe permitam cobrar taxas menores ou aquém
da realidade do mercado, em vez de contribuir para a
melhoria de seus serviços, poderão sobrecarregá-las de
tarefas, em prejuízo do atendimento.
Têm toda razão, portanto, os empresários para se
mobilizarem contra a aprovação desse projeto, que
representa um retrocesso inaceitável, em uma fase
histórica caracterizada por um esforço para limitar o
Estado às suas funções essenciais, especialmente nas
áreas de educação, saúde, habitação e saneamento
básico. Dar aos Correios um papel de monopólio ou quase
monopólio seria, afinal, uma grossa asneira.
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