Uso de spam em campanha política acende debate

USA – No início, eram impressos atraentes enfiados nas caixas de correio. Depois, vieram mensagens telefônicas pré-gravadas dos diversos candidatos há qualquer hora do dia. Agora, os eleitores americanos estão em vias de ser atingidos por um novo bombardeio de propaganda política não solicitada na forma de emails.

O responsável pela novidade foi o Secretário de Estado Bill Jones, que quebrou o tabu na Califórnia ao enviar mais de um milhão de emails pedindo votos em sua mal-sucedida campanha pela candidatura republicana ao governo do estado.

A iniciativa trouxe uma enxurrada de críticas, uma vez que o candidato a candidato utilizou-se de spam três vezes durante a campanha, ignorando os argumentos contrários dos profissionais e empresas responsáveis pelo seu site. Ao contratar uma empresa de fora para veicular a terceira onda de spam, o provedor de internet responsável pela hospedagem tirou o site do candidato do ar, deixando-o sem sua mais valiosa arma nos últimos dias de campanha, quando já se contava com pouco fôlego financeiro. Bill Jones chegou em terceiro lugar na eleição que foi vencida pelo novato Bill Simon.

Analistas concordam que esse pode ser o início de uma nova forma de candidatos a cargos eletivos se comunicarem com seus possíveis eleitores, a despeito das críticas dos ativistas anti-spam, acadêmicos e consultores políticos. Todos, entretanto, afirmam que este foi um divisor de águas e deverá ser um caso de estudos por muitos anos.

A despeito das restrições ao spam que atingem a propagande de sites pornográficos e de correntes na internet, as leis americanas não afetam a propaganda política. Mesmo assim, os políticos ainda hesitam em utilizar o email. Uma tentativa foi feita e abandonada em São Francisco, em 1998, depois de encontrar severa oposição no público e na midia. Segundo Shabbir J. Safdar, co-fundador da Mindshare Internet Campaigns, de Washington D.C., esta é "uma pésima forma de fazer campanha, uma vez que você chateia justamente as pessoas que você quer seduzir"

No mesmo ano, um senados democrata da Georgia foi forçado a desculpar-se pelo envio de 500 emails não-solicitados, depois de uma furiosa reação do público através de telefonemas.

A grande novidade da campanha de Bill Jones foi a contratação de uma empresa de internet para enviar o milhão de emails. O serviço foi feito de forma desonesta, utilizando o auxílio involuntário de uma escola primária na Coréia, que teve os seus servidores invadidos para mascarar o envio do spam. Algo mais falhou, pois os emails foram recebidos por pessoas em outros estados e até em outros países.

A despeito de tudo, Jones ainda defende o uso do email como uma forma avançada e moderna de contactar eleitores com informações mais substanciais do que comerciais de 30 segundos na TV. Outro consultor da campanha de Jones afirma que o baixo custo do email compensa amplamente as críticas recebidas.

Políticos mais experientes relutam em utilizar-se do email, preferindo deixar que outros abram e explorem as trilhas. Uma comissão foi formada para analisar o uso da liberdade de expressão na internet. A reflexão final ficou por conta de um outro consultor político que afirmou "Ninguém te agradece pelo envio, as pessoas apenas se chateiam. Não acho que isso funcionaria para nós".